FUTSAL»» Treinador José Glória deixa a Casa do Benfica no Seixal

Depois de cinco anos consecutivos a treinar no concelho…

“SINTO QUE ESTÁ NA ALTURA DE ME AFASTAR E DEDICAR MAIS TEMPO À FAMÍLIA”


José Glória, treinador de futsal, que nas duas últimas épocas orientou com sucesso a equipa da Casa do Benfica no Seixal, está de saída.

A comunicação foi feita logo após a realização da última jornada da I Liga E.Leclerc mas como ainda havia o Mundial das Casas do Benfica para realizar continuou a exercer em pleno as suas funções que cessaram agora.

Para trás fica o excelente trabalho realizado e algumas conquistas como foi o caso da subida de divisão na sua primeira época, a vitória alcançada na 3.ª edição do Mundial das Casa do Benfica e o terceiro lugar conquistado esta época na I Liga.

Apesar de ser sportinguista desempenhou sempre de forma elevada as suas funções e o seu relacionamento com os jogadores e dirigentes da CB Seixal foi sempre exemplar. Tanto assim que na hora da despedida foi presentado pela direcção com uma placa de agradecimento pelos dois anos de raça, esforço e dedicação.

O treinador, que classifica o presidente da Casa do Benfica no Seixal, Paulo Lopes, como um diplomata, aceitou a proposta que lhe fizemos para falar desta sua experiência.  


“A decisão não foi tomada de ânimo leve”


Está de saída da Casa do Benfica no Seixal onde exerceu durante dois anos o cargo de treinador. Há alguma razão especial que tenha contribuído para a decisão que tomou?
Já são cinco épocas como treinador de futsal no Concelho do Seixal. Três no Seixal FC e agora dois na Casa do Benfica. Acuso algum desgaste, por razões que se prendem com a minha forma de estar. Sempre que assumo um projecto, dedico-me de alma e coração. Sinto que está na altura de me afastar e dedicar mais tempo à família que é onde o tempo acaba sempre por faltar. Foi uma decisão que não foi tomada de ânimo leve, porque gosto realmente daquilo que faço e tenho uma excelente relação com todos os intervenientes neste projecto.
  




“Cultivámos um espirito de grupo incomparável”

Qual o balanço que se pode fazer desta sua passagem pela Casa do Benfica?
O balanço é deveras positivo. De uma equipa com pouco relevo no contexto do futsal, a CBS passou a ser uma referência em termos organizacionais e desportivos. As conquistas alcançadas na primeira época, onde destaco o título de vice-campeão da 2ª Liga e vencedores do 3º Mundial de Casas do Benfica, entre outros. Na corrente temporada, o lugar no pódio (3.º) na 1.ª Liga e o honroso 4.º lugar no Mundial de Casas SLB. Acima de tudo gostaria de destacar o balneário. O grupo de jogadores que me acompanharam são do melhor que já encontrei. Cultivámos um espirito de grupo incomparável.


“Estou satisfeito mas poderíamos ter chegado mais alto”

Ficou satisfeito com estes resultados ou é da opinião que poderia ter feito ainda melhor?
Os resultados são bastante satisfatórios, mas mentiria se não lhe dissesse que poderíamos ter chegado mais alto. Tínhamos qualidade para isso. Alguns aspetos que se prendem com a disciplina, penalizaram-nos demasiado. Considero até, que esta época, não fora as consequências de uma atitude menos própria no Torneio de Abertura do campeonato, teríamos lutado pela conquista do título de campeão. Mas as coisas são o que são. Em resumo, sinto-me bastante satisfeito com os resultados alcançados.


“Este campeonato que dá 30 a 0 à AF Setúbal”

Qual a sua opinião sobre este campeonato concelhio que é disputado por mais equipas que o campeonato da AF Setúbal, sobretudo a nível de Seniores?

Nos dias que vivemos, as coletividades fazem um esforço enorme para se manterem com as portas abertas. Tudo o que envolva verbas para inscrições e afins, torna de todo impossível a participação. Julgo que algo terá de ser feito pelas entidades competentes, porque este campeonato que dá 30 a 0 à AFS, também faz o apoio social que está na génese das coletividades. Repare, o número de jogadores envolvidos nesta competição, deve rondar os 400 (!). E isto só nos seniores. Muitos deles, após observação em competição, são convidados para integrar plantéis de níveis superiores e até para o futebol de 11. A qualidade existe, nos diretores, nos técnicos e nos atletas. Oxalá se consiga encontrar um patamar de colaboração mútua, onde todas as partes fiquem a ganhar.


“Ser sportinguista e treinar o Benfica foi engraçado”

Sendo um sportinguista assumido como se sentiu a representar o Benfica?
Norteiam-me os princípios do desportivismo. Como são universais, foi bastante fácil adaptar-me ao universo SLB. Desde logo, porque o atual Presidente da CBS é um diplomata e um desportista. Depois porque o principal objetivo era o futsal. Naturalmente que se fosse um Núcleo do Sporting, teria despertado em mim sentimentos diferentes. Mas o respeito que tenho pela instituição SLB e pelos benfiquistas foram a base de toda a minha entrega e compromisso. Foi engraçado. E também muito gratificante.

Há algo mais que gostasse de acrescentar ao que já foi dito?
Gratidão. Grato a todos que os que comigo percorreram este percurso. Desejo o maior sucesso à CBS e ao desporto no Concelho.



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