MÁRCIO MADEIRA»» Realça papel do colectivo na questão dos golos

Jogador do Vasco da Gama deixa bem vincado o seu carácter…

“QUERO PARTILHAR E DIVIDIR O PRÉMIO COM O CAMI ESTE É UM PRÉMIO DOS DOIS”

Márcio Madeira é um jogador que dispensa apresentações, durante algum tempo andou pelos melhores palcos nacionais a competir ao mais alto nível mas há três anos decidiu regressar a casa e ao seu clube de origem, abdicando do profissionalismo.

Agora joga por prazer e apenas por amor à camisola e ao clube da terra que o viu nascer. Toda a gente é unânime em dizer que se trata de um jogador acima da média para o nível da competição mas ele próprio desvaloriza a situação considerando o mais importante é poder contribuir para aumentar a valorização do campeonato e a sua competitividade.

No que respeita ao facto de ter sido o melhor marcador, o jogador, em entrevista ao nosso jornal, deixa bem patente o seu carácter fazendo questão de partilhar o prémio com Cami, que terminou com o mesmo número de golos.

E a este propósito não deixa de ser curioso o facto de na última jornada não ter jogado no Monte de Caparica para ir ao casamento de um amigo correndo sérios riscos de poder ser ultrapassado pelo seu adversário.  


“Ninguém faz 24 golos numa equipa fraca”
   
Que importância tem para si o facto de ter sido o melhor marcador do campeonato?
Antes de mais parabéns pelo seu trabalho e obrigado pelo convite. Bem, a importância é relativa, o ano passado já havia sido o melhor marcador da 2.ª divisão mas parece-me que este ano pelo valor das equipas, pela qualidade dos jogadores e acima de tudo por se tratar de um campeonato tremendamente competitivo, tem um sabor especial. Jogar numa equipa que tinha acabado de subir (e que estava afastada há alguns anos deste patamar) constituída por miúdos da formação que jogam sem receber nenhum tipo de compensação financeira, engrandece este feito. Depois dizer-lhe que ninguém faz 24 golos numa equipa fraca, foi um trabalho colectivo onde os meus colegas me ofereceram muitos dos golos e onde a minha qualidade individual foi potenciada ao máximo por uma equipa técnica muito competente. Acho, sinceramente, que ainda mais que meu, este é um prémio do colectivo.


“Cami que é um belíssimo jogador merece a distinção tanto como eu”

O facto de não ter jogado na última jornada poderia ter deitado tudo a perder. Foi um risco que correu…
Não lhe chamaria risco, desde que deixei o futebol profissional que o desporto passou para segundo plano, tinha compromissos familiares (nomeadamente o casamento de um dos meus melhores amigos). Nesta altura primeiro está a minha família e os meus amigos que tiveram muitos anos um papel secundário e que foram privados muitas vezes da minha companhia em virtude da minha profissão. Hoje e aqui na distrital já não o faço e este ano faltei a quatro jogos pelos mesmos motivos. Sabia que ao faltar ao jogo e estando apenas a dois golos de vantagem existia a probabilidade de ser ultrapassado. Sabia também que se fosse ao meu jogo aumentaria as minhas chances de ser o melhor marcador isolado. Mas como lhe disse, nesta fase da minha vida isso é apenas um apontamento. Não era um objectivo, nem vivi obcecado com isso. Até porque jogo numa equipa de qualidade bastante inferior ao meu adversário. Acredite que o grau de dificuldade para fazer um golo é muito maior. Ainda assim deixe-me apenas partilhar e dividir o prémio com o Cami que é um belíssimo jogador e merece a distinção tanto como eu, ele fez uma temporada fantástica e este é um prémio dos dois, espero que estes golos o levem para outros voos.

Na próxima época vai querer com certeza continuar a marcar golos?
Se servirem para ganhar e ajudar a equipa a somar pontos claro que sim. Se não servirem de nada, prefiro que outros os marquem. Quero acima de tudo ganhar, com golos meus ou de colegas. Posso-lhe garantir que festejo da mesma maneira.

Toda a gente é da opinião que o Márcio é um jogador acima da média para esta divisão. Como se sente a jogar no Vasco da Gama?
Sinto-me bem, sinto-me feliz e realizado. Sou respeitado pelos meus adversários e pela generalidade dos clubes e respeito muito o campeonato onde estou. Faço o possível para o valorizar e para elevar o nível quer de qualidade quer de competitividade. Não me sinto superior a nenhum adversário, sinto que para sobressair tenho que correr mais do que alguma vez corri e treinar mais do que alguma vez treinei, o resto sai naturalmente e sempre ao nível do colectivo.


“O meu tempo como profissional acabou e está bem resolvido”

Depois do passado brilhante que teve no futebol português. Nos seus horizontes não está o regresso ao futebol profissional?

Surgem sempre convites que me deixam orgulhoso. É sinal que as pessoas ainda acreditavam que seria possível, mas penso que já não tenho a qualidade e o nível necessário para outro patamar. O meu tempo como profissional acabou e está bem resolvido. Fui o melhor que pude ser dentro da qualidade que tinha e hoje faço precisamente o mesmo a outro nível. O futebol profissional é uma memória bonita pelas pessoas que conheci e pelos sítios onde passei, guardo tudo isso com muito carinho e com alguma nostalgia/saudade mas terminou e como lhe disse são apenas recordações.

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